Três das maiores universidades públicas do Brasil anunciaram neste mês a expansão de seus programas de pesquisa em energia renovável, com foco em tecnologias de armazenamento, geração solar de alta eficiência e biocombustíveis de segunda geração. Os investimentos somam R$ 340 milhões ao longo dos próximos quatro anos, financiados por uma combinação de recursos federais, estaduais e parcerias com o setor privado.
A iniciativa, batizada de Rede Brasileira de Energia Limpa, reúne laboratórios da USP, UNICAMP e UFMG em um consórcio que pretende acelerar a transferência de tecnologia para empresas nacionais e reduzir a dependência de importações de equipamentos e insumos para o setor energético.
"O Brasil tem uma matriz energética invejável, mas ainda importa muito da tecnologia que usa. Queremos mudar isso", afirma o professor Eduardo Lins, coordenador do programa na USP e especialista em células fotovoltaicas.
Foco em armazenamento
Um dos principais gargalos da energia renovável é o armazenamento: como guardar a energia gerada pelo sol ou pelo vento para usar quando não há sol nem vento. O programa dedica 40% dos recursos a pesquisas nessa área, com ênfase em baterias de estado sólido e sistemas de armazenamento por hidrogênio verde.
A UFMG lidera o componente de hidrogênio verde, aproveitando a expertise da instituição em metalurgia e engenharia química. "O Brasil tem condições naturais excepcionais para produzir hidrogênio verde a custo competitivo. Precisamos desenvolver a tecnologia para aproveitar esse potencial", explica a professora Ana Cristina Borges, do Departamento de Engenharia Química.
Formação de talentos
Além da pesquisa, o programa prevê a formação de 800 pesquisadores em nível de mestrado e doutorado ao longo de quatro anos. Bolsas específicas serão destinadas a estudantes de regiões com menor acesso ao ensino superior de qualidade, numa tentativa de descentralizar a produção científica no país.
Empresas do setor energético já manifestaram interesse em participar do programa como parceiras, com possibilidade de acesso preferencial às tecnologias desenvolvidas em troca de cofinanciamento das pesquisas.